Quinta-feira, 2 de Julho de 2009


A PROPÓSITO DO BORONHA

A propósito de António Boronha, no seu artigo “Para quem servir a carapuça”.
Claro que todos sabemos que uma grande parte dos dirigentes desportivos enche os bolsos com comissões de transferências de jogadores. Também sabemos que a PJ tem investigado alguns casos, mas até agora não se chegou a conclusão nenhuma porque a “nota” não deixa rasto no passeio por esses paraísos fiscais, onde tudo se governa à grande e à francesa.
Mesmo assim, apesar do processo se mostrar seguro, os homens andam assustados e começam a criar caminhos novos para os seus grandes negócios.
Vamos a exemplos: António Araújo, não tendo capacidade nem currículo para tirar o curso de Agente FIFA, lá conseguiu, no Brasil, colocar a sua mulher no respectivo curso para dar a cara nos seus negócios.
O seu ex-grande amigo, Rui Alves, presidente do Nacional da Madeira, também casado com uma brasileira seguiu-lhe o exemplo e fez da sua mulher Agente FIFA. Como se não bastasse este desiderato, poucos dias depois de lhe ter sido entregue o diploma, a companheira do presidente do Nacional, não esteve com meias medidas e foi ter com o presidente do Marítimo oferecendo-lhe alguns jogadores. Carlos Pereira nem queria acreditar no que estava a acontecer. A mulher do seu maior inimigo a oferecer-lhe jogadores. Caiu-lhe o queixo.
Mas vamos ao requinte do negócio. Dois presidentes de clubes do Norte, fizeram uma sociedade de fundos de investimentos para negociar jogadores, tendo como sócio o Agente FIFA, Jorge Mendes. A empresa está registada e os negócios são claros como água. Apenas um senão: o primeiro negócio deste fundo de investimento foi a venda de um jogador do clube de um dos presidentes para o clube do outro presidente.
Melhor? Nem o Moggi.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009


ESTES EU TESTEMUNHEI

Já lá vão uns anos. Era o Eriksson treinador do Benfica e em final de temporada o clube da Luz foi fazer uma “tourné” por Angola e Moçambique. Ainda jogava o Xalana e Hernâni, entre outros.
Tudo correu bem durante toda “tourné”. Em Angola a comitiva benfiquista foi convidada para várias festas de “mil e uma noites” e até tínhamos salvo-conduto para andar de noite com direito a carro e motorista. Em nenhuma dessas festas se viu qualquer jogador. Mas, no penúltimo dia, em Moçambique, estávamos todos hospedados no Hotel Polana e após o último jogo, equipa e jornalistas foram todos beber um copo até uma discoteca local.
Lá, conhecemos um grupo de raparigas, boas… e após umas duas a três horas de dança o grupo de jogadores e jornalistas voltaram para o hotel e o andar em que estávamos foi transformado num espaço de bacanal.
Nessa altura, os jornalistas respeitavam a privacidade das pessoas e a festa tocou a toda a gente: atletas claro. Ninguém escreveu uma linha sobre o assunto e eu também. Não vimos o mal da coisa. A “tourné” tinha terminado. Eram jovens e estavam cheios de tesão e acreditem ou não, nessa altura os jornalistas eram muito mais independentes do que agora.
Não me falem também em puritanismo, porque viajei muito com o futebol e a maior parte dos jornalistas, onde chegavam, a primeira coisa que perguntavam era: onde há putas?
Uma outra vez fui a Penafiel fazer um jogo e com o repórter fotográfico fomos almoçar a um restaurante onde estava a acabar a refeição a equipa local e como não havia lugares esperamos que eles saíssem e fomo-nos sentar na mesa deles.
Verifiquei que em cima da mesa ficou uma embalagem com um medicamento. Por curiosidade vi o que era e não fiquei com dúvidas de que era doping.
Guardei a embalagem e no dia seguinte fiz uma viagem com o Sporting até Colónia para um jogo europeu. 10 minutos antes do jogo começar, um colega meu que ia fazer o relato para a RDP, disse-me com alguma tristeza: “estou em baixo, não sei como vou fazer este relato.”
Na minha pasta tinha o tal medicamento recolhido em Penafiel e disse ao meu amigo e colega mais em brincadeira do que a sério: tenho aqui um medicamento que penso que é doping.
Ele não hesitou e pediu para lhe mostrar o dito cujo e disse logo: “dá-me uma merda dessas. Se eles tomaram e não morreram após um jogo de futebol, eu também não morro.”
Ri-me e disse: “ Toma, a responsabilidade é tua.”
Cinco minutos antes de começar o jogo as rádios portuguesas presentes no estádio do Colónia não tinha sinal de retorno e a situação manteve-se durante toda a primeira parte do jogo. Perante tal situação, os “relatadores” optaram por não fazer o relato porque não sabiam se estavam a chegar, mas o meu amigo da RDP, não esteve com meias medidas. O medicamento deu-lhe tal “speed” que relatou toda a primeira parte sem saber se estava a chegar ou não.
Quando na segunda parte do jogo, o problema foi resolvido, ficou a saber-se que a única estação de rádio que deu esse relato, foi exactamente a do meu amigo que tomou o “doping” do Penafiel. Foi uma glória, para ele, claro, e já depois do jogo, no hotel, o meu amigo lá foi ter comigo pedindo-me mais umas pastinhas. Fiquei com medo da sua euforia e despejei o resto do frasco na sanita.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009


O LIVRO DE FERNANDO MENDES
NÃO É UMA COBARDIA
É UM ACTO DE CORAGEM

Um dos nossos leitores lançou-me o desafio para comentar o livro de Fernando Mendes. Achei oportuno este desafio, até porque fiquei um pouco revoltado com um artigo de opinião que li no “24 Horas” no qual o autor chamava cobarde ao ex-defesa esquerdo.
Quem anda no futebol há uns anos, sabe que Fernando Mendes pode ter muitos defeitos, mas o adjectivo cobarde não assenta na sua personalidade. Todos nós sabemos que o mais provavelmente, neste caso, é que foi a “voz do dono” a falar. Fernando Mendes teve a coragem que muitos deveriam ter. Mostrou a sua habitual irreverência e o resto... todos conhecemos os factos.
Só mesmo aqueles que vivem fora da realidade não acreditam que sempre houve putas nos estágios, assim como drogas e outras coisas mais. Ainda não li o livro, mas pelo que sei, o que Fernando Mendes escreveu é a realidade do nosso futebol e de quase todas as outras modalidades.
Há gente que gosta de andar enganado pela sua estrada e há outros que gostam de agarrar o touro pelos cornos. Por vezes a coisa não é feita pelo método que gostaríamos. Não há nomes, não há personalidades: muito bem. Se calhar não foi esse o objectivo do Fernando Mendes: fazer acusações pessoais. O que está em causa é nosso futebol e a forma como é gerido. Ninguém aqui tem o papel de anjinho. Todos sabemos que no mundo do futebol, vale tudo e o livro de Fernando Mendes foi uma forma justa de homenagear o nosso desporto-rei, de avisar os mais novos e os mais velhos para aquilo que os espera.
Os bacanais em estágios e o fechar de olhos por parte dos dirigentes é uma realidade a que já assisti por diversas vezes. Sobre doping, conheço todo o processo e nunca tive dúvidas de como tudo se processa e … vocês também!

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009


VITÓRIA SEMPRE


Meus amigos! temos boas novidades.
Dos 15 processos de que fui alvo, todos foram arquivados e nem sequer chegaram a qualquer sala de julgamento.
Chegou a hora do ajuste de contas. Já dei instruções ao meu advogado para accionar os que se constituíram assistentes nos processos para os processar judicialmente por "deúncia caluniosa".
Dois desses processos já deram frutos. O presidente de um clube foi condenado a pagar-me 10 mil euros e um outro assistente no processo teve de chegar a acordo comigo e também vai pagar. Não tanto como o primeiro, mas pelo menos vai apreender que a liberdade de expressão é para se respeitar.
Os outros 13? Alguns vão ficar de fora porque não foi possível apurar a intenção de denuncia caluniosa, mas ainda vão ficar outros para pagarem as despesas já efectuadas

Até breve

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009


A RAZÃO DO SILÊNCIO


Passados uns dias de ter tomado a decisão de fechar o Blog da Bola e com a certeza de que não é isto que quero, pelo respeito que todos os leitores me merecem, aqui fica a explicação pela escolha deste caminho.
Não foi para mim fácil tomar esta decisão depois de ter conquistado um volume de leitores que estava quase no 1,4 milhões de páginas vistas e a incomodar muita gente, mas teve de ser, não só por opção minha, mas também a pedido da minha família.
Nunca me deixei levar pelo medo ou chantagem, estas duas atitudes de ataque sempre me levaram a seguir ainda mais em frente na denúncia e talvez por isso, sempre fui respeitado e deixei muita gente inquieta, mas não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe.
Como alguns leitores começaram a notar, o Blog da Bola foi perdendo força pela ausência de notícias e estava a cair no rumo de muitos outros de comentar apenas as notícias diárias e não foi com este objectivo que este espaço nasceu. Isso aconteceu, em parte, porque a crise financeira também nos afectou e o orçamento de centenas de euros gastos em telefonemas mensalmente, para se fazer pesquisa e investigação teve de ser drasticamente reduzido e como todos sabem, sem investigação não há notícia.
Mas, com um pouco de sacrifício arranjava-se sempre para o gasto, até porque sou um homem de luta e não me deixo vergar com tanta facilidade.
Poderão, todos vocês começar a pensar que afinal não houve censura nenhuma e que fui eu, que resolvi fechar a “tasca”. É uma meia verdade.
Mas, a lógica do de António Boronha, pessoa que admiro, não só pela qualidade do seu blog, mas pelo seu carácter, quando diz que com ele “têm de se agarrar ao pau”, não será muito bem assim. Esqueceu-se o Boronha que as técnicas de censura se vão refinando cada vez mais e dentro de toda a legalidade.
Cito o meu exemplo, para que todos fiquem cientes do que é possível fazer para que os “novos ricos” do nosso futebol voltem a dominar.
Num espaço de poucos meses fui alvo de 15 processos judiciais e as pessoas têm toda a legitimidade de se sentirem ofendidas e recorrer aos tribunais para se defenderem.
Destes 15 processos, 13 foram arquivados porque o MP considerou que não havia matéria de facto ou as provas apresentadas foram convincentes. Dirá o leitor, numa análise muito rápida: sendo assim, onde está o problema?
O problema é que por cada processo instaurado e mandado arquivar pelo MP, os “senhores” do futebol, como não estão a gastar dinheiro do seu bolso, mas do clube que representam, avançam imediatamente com uma queixa particular, que volta a ser arquivada. A seguir vem o recurso para a relação e em todo este trajecto, o arguido, sem culpa formada e com sucessivos processos arquivados é obrigado a gastar em cada recurso, 192 euros, o que quer dizer que se fizer pelo menos dois recursos em cada processo, lá vão cerca de 400 euros fora os honorários do advogado. Quando o processo é definitivamente arquivado, o assistente retira-se com toda a tranquilidade sem gastar um tostão do seu bolso e o arguido, sem ter cometido nenhum crime viu a sua conta bancária bastante diminuída.
Alguns dos assistentes dos tais processos, chegaram a queixar-se de factos em que recebiam elogios e por isso, caro Boronha, não é assim tão fácil agarrarem-se ao pau, mas somos nós, que sem qualquer lucro ou interesse, temos de nos agarrar ao pau.
Já sabem que comigo não resulta a violência, o insulto, ou a chantagem porque não estou encostado a nenhum lado e os criminosos estão sempre na outra margem.
Nós por cá vamos manter a postura e um silêncio estratégico e vamos a breve prazo romper mais uma vez com as correntes da censura.
Até breve

Sábado, 3 de Janeiro de 2009